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RS terá serviço de alerta climático para a pecuária

Com casa cheia e mais de 650 pessoas presentes, a XXI Jornada NESpro e II Congresso de Criadores

25/06/26

Com casa cheia e mais de 650 pessoas presentes, a XXI Jornada NESpro e II Congresso de Criadores transformou o BarraShopping Sul em Porto Alegre no ponto de encontro da pecuária gaúcha em um dos dias mais frios do ano na capital. Na plateia, a predominância foi de produtores rurais e médicos veterinários que concentraram quase a metade dos participantes. Destaque também para a presença de representantes de nove estados brasileiros e também do Mercosul (Uruguai, Argentina e Paraguai).

Entre os destaques do primeiro dia do evento, está o lançamento de uma plataforma de alertas climáticos direcionados para a pecuária. Renato Aboud, CEO da VortixGeo, uma empresa de inteligência climática e geoespacial, afirmou que existem pelo menos duzentas variáveis climáticas que podem contribuir com a tomada de decisão do produtor. O professor Júlio Barcellos, coordenador do Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos e Corte e Cadeia Produtiva, informou que o serviço estará disponível para teste no site do Nespro a partir da semana que vem. O modelo que será utilizado atua em cinco eixos: bem-estar, sanidade, nutrição, reprodução, manejo e gestão de risco. Dentro de cada eixo, são monitorados indicadores como risco de infecção por carrapato, no caso de sanidade, que observa a temperatura ideal para a eclosão dos ovos, por exemplo, ou o momento ideal para cobertura, também observando características locais de cada propriedade. As informações são coletadas pelo CAR (Cadastro Ambiental Rural) da propriedade.

Durante a manhã, Antonio Chaker, mestre em produção animal e consultor sênior, fez uma analogia entre o futebol e a pecuária. Segundo ele, “quando está tudo bem, o produtor precisa jogar na defesa, e quando chega a crise é hora de atacar”. Para Chaker, o desafio é compreender a mudança geracional e atuar com intenção para que cada um atue no que sua característica faça mais sentido.“Temos cinco gerações atuando dentro das propriedades, e é preciso modernizá-las para atrair e manter pessoal. Não falta equipe, falta filosofia”, pontua. E ao falar sobre os desafios da pecuária, Chaker disse que a melhor forma de lidar com o risco de preço é produzir boi barato.

A presidente do Instituto Desenvolve Pecuária, Antonia Scalzilli falou sobre a estratégia organizacional coletiva para a pecuária bovina. Segundo ela, quando o consumidor vai ao supermercado ele só vê o produto, a carne. “Da mesma forma, quando ele vê uma notícia ruim sobre o setor, ele só vê a carne, porque não consegue enxergar os elos separados da cadeia. Por isso, precisamos agir coletivamente, para um resultado conjunto do setor”

No painel sobre rastreabilidade, o tema da União Europeia entrou na pauta, na fala da pecuarista Fernanda Costabeber da Fazenda Pulquéria. Segundo ela, a possibilidade de retirada da monensina, um aditivo alimentar que é fornecido para animais que recebem suplementação, não compensaria pelo custo que agregaria na produção ao utilizar substitutos como óleos essenciais. Conforme a pecuarista, o volume para a Europa é pequeno, mas paga bem, entretanto, cada produtor teria que calcular até que ponto essa exportação valeria a pena. “O Uruguai segrega os animais que são exportados para a União Europeia e conversei com um confinador de lá que retira a monensina somente nos últimos 30 dias. Por que o Brasil tem que retirar o produto de todo o plantel?”, questiona. O secretário da Agricultura Márcio Madalena afirmou que o Rio Grande do Sul, que já tem um projeto piloto de rastreabilidade individual, será o primeiro estado brasileiro a rastrear a totalidade do rebanho. Madalena, que já atuou no Ministério da Agricultura e visitou todos os estados brasileiros, disse que o Rio Grande do Sul é o estado mais preparado em termos de Serviço Veterinário Oficial.

Antonio Mário Penz Júnior, diretor global de contas da Cargill Nutrição Animal falou sobre “Um mundo em transição e o protagonismo da produção de carne bovina pelo Brasil”. O especialista pontuou que o país está em uma posição “absolutamente privilegiada, com muitas oportunidades”. Penz Júnior pontuou a inversão da pirâmide alimentar norte-americana e os efeitos das canetas emagrecedoras no consumo de proteínas.

A abertura oficial do evento contou com a presença do governador em exercício, Gabriel Souza que destacou que sanidade, rastreabilidade e abertura de mercados são temas de primeira ordem. A programação do evento segue nesta quinta-feira (25) com temas como integração de sistemas agropecuários, manejo reprodutivo e nutricional ,e mercado e consumo da pecuária.


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