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Redução de lesões no gado gaúcho poderia alimentar mais de 600 mil pessoas
13/02/26
A Comissão da Pecuária de Corte da Farsul realizou essa semana (9) uma reunião híbrida com palestra do professor Ricardo Vaz, do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Santa Maria (Campus Palmeira das Missões). Conselheiros do Fundesa acompanharam o evento, avaliado como de fundamental importância para a compreensão dos produtores.A palestra, intitulada “Perdas por lesões em carcaças bovinas: da Fazenda ao Frigorífico”, trouxe resultados de estudos realizados em propriedades gaúchas pontuando a importância do temperamento e do bem-estar animal para reduzir perdas produtivas.
Na apresentação, o professor destacou que falhas no manejo e contusões nos animais geram grandes desperdícios de carne, prejudicando a rentabilidade do produtor e a oferta de alimento. Para Vaz, “métodos simples como selecionar, entre os exemplares da propriedade, os animais com temperamento mais dócil, e correlacionando características físicas é possível garantir maior produtividade. “Uma boa forma de selecionar os animais mais calmos é observar o comportamento no tronco de manejo. Quanto mais agitado, e com maior velocidade para sair do equipamento ou maior distância de fuga, mais problemas o produtor terá para o manejo e embarque dos animais, resultando em mais lesões no frigorífico”, pontua Vaz. Isso porque melhorar o temperamento do gado atua diretamente na redução do desperdício de carne ao diminuir a ocorrência de contusões (machucados) que precisam ser removidos (toalete) na agroindústria. Animais mais dóceis se estressam menos, batem menos nas estruturas e, consequentemente, preservam mais a integridade da carcaça.
O Impacto na Alimentação de Pessoas
O professor Ricardo Vaz apresenta um cálculo impactante sobre o potencial social dessa redução de desperdício: “se fosse possível reduzir a perda por contusão em apenas 0,5 kg por carcaça no abate nacional, a carne salva alimentaria 612 mil pessoas por um ano (considerando um consumo médio de 37 kg/ano). Mas, conforme o presidente da Comissão de Pecuária de Corte da Farsul, José Fernando Piva Lobato, a realidade no Rio Grande do Sul pode chegar a 2,9kg de perdas por carcaça. “Se toda essa perda de quase 3 kg fosse evitada, seria possível alimentar quase 2 milhões de pessoas.”
Portanto, investir na seleção de animais com temperamento dócil e em um manejo calmo não é apenas uma questão ética ou financeira (evitando o prejuízo de aproximadamente R$ 72,00 por animal, mas uma estratégia direta de segurança alimentar.
Como Selecionar por Temperamento para Reduzir Perdas
Escore de Balança: Observar o comportamento do animal ao ser pesado. Animais que ficam estáticos são mais calmos, ganham peso mais rápido e convertem melhor o alimento. Animais que ficam se debatendo ou andando em círculos são mais nervosos e propensos a contusões.
* Velocidade de Saída: Medir como o animal sai do brete ou balança. O animal calmo sai ao passo; o animal reativo dispara em velocidade assim que a porta abre.
* Distância de Fuga: Avaliar o quão perto um humano pode chegar do animal no curral antes que ele tente fugir. Animais muito reativos fogem quando a pessoa ainda está a 7 ou 8 metros; os dóceis permitem maior aproximação.
* Redemoinho Facial (Indicador Físico): Baseado nos estudos de Temple Grandin, a posição do redemoinho de pelos na testa do boi indica temperamento. Quanto mais alto (acima da linha dos olhos), mais nervoso e menos produtivo é o animal. Quanto mais baixo, mais calmo.
O Fator Memória e Manejo
Além da genética, o tratamento afeta o temperamento.
* Memória das Fêmeas: As vacas tendem a ser mais reativas que os machos não apenas por proteção, mas porque ficam mais tempo no sistema e têm boa memória para a forma de tratamento anterior.
* Manejo sem Pressa: A "pressa" humana é uma grande causadora de estresse e lesões. Mudar o comportamento para lidar com o gado de forma calma custa "zero reais" e evita que o animal associe o curral a dor e medo, reduzindo reações violentas no futuro.
Foto e Texto: Thais D'Avila.
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