Notícias
Fórum sobre Influenza Aviária debate prevenção e contingência no RS
Evento ocorreu em Montenegro, local que registrou o primeiro foco da doença em granja comercial
18/03/26
Órgãos públicos e setor produtivo se reuniram nesta terça-feira (17/3), em Montenegro, para debater o cenário da Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) no Brasil e no mundo, com enfoque nas ações realizadas no país. O evento ocorre no momento em que o Rio Grande do Sul vem adotando medidas de contingenciamento e vigilância ativa após a confirmação de um foco de H5N1 em aves silvestres na Reserva Ecológica do Taim, ao final de fevereiro.
“É importante lembrar que começamos a nos mobilizar em 2023. Quando tivemos o primeiro foco em granja comercial, em 2025, não fomos surpreendidos porque estávamos nos preparando há muito tempo para isso. Queremos que nosso estado seja um exemplo de biosseguridade e controle sanitário, que faça jus a nossa produção de excelência”, disse o secretário adjunto de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, Marcio Madalena, na abertura do fórum.
O presidente da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), José Eduardo dos Santos, destacou a integração que o setor produtivo teve com o Serviço Veterinário Oficial e a população durante o foco em Montenegro, em 2025. “Trabalhamos para fortalecer a interatividade entre esses elos, que ocupam posições estratégicas para a avicultura. Estamos em um momento de proteção ao setor, em que ações dentro da porteira são vitais na manutenção da nossa atividade”.
O presidente do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa), Rogério Kerber, lembrou que o Brasil foi um dos últimos países produtores a registrar a ocorrência de gripe aviária. “Somos um país com uma situação sanitária invejável, com embarques de proteína animal de mais de 50 mil toneladas por dia. Isso representa a responsabilidade e comprometimento do setor produtivo com a manutenção do status sanitário”, frisou.
Cenário Mundial
A médica veterinária Daniela Pacheco Lacerda, do Departamento de Saúde Animal do Ministério da Agricultura e Pecuária (DSA/MAPA), apresentou dados sobre a Influenza Aviária no mundo e no Brasil, apontando algumas diferenças.
“Enquanto no Hemisfério Norte se consegue perceber uma sazonalidade na ocorrência da H5N1 de novembro a março, os meses mais frios, no Hemisfério Sul não há um padrão tão claro. Isso se deve ao nível de influência da migração das aves e a mudança das temperaturas. No Brasil ainda temos uma série histórica limitada, mas os casos têm se concentrado nos meses de abril a agosto”, pontuou.
De acordo com Daniela, um dos maiores desafios presentes na prevenção e contingência da gripe aviária é a complexidade epidemiológica da doença. “A quantidade de espécies afetadas, a interface com animais silvestres, vírus distintos introduzidos por diferentes rotas, além de ser uma zoonose com potencial pandêmico, são alguns dos pontos que a tornam tão complexa na sua prevenção e controle”, enumerou.
Essas características levam à necessidade do alinhamento de diversas competências em uma atuação interinstitucional integrada. “Agricultura, Saúde e Meio Ambiente precisam trabalhar coordenados com o setor privado, no conceito de Uma Só Saúde. Aqui no Rio Grande do Sul, percebemos que a interação entre essas instituições tem aumentado o nível de sensibilidade, auxiliando na detecção precoce da influenza aviária”, exemplificou.
Biosseguridade básica
O consultor técnico Paulo Raffi, sócio-proprietário da plataforma biosseguridade.com, abordou a importância da biosseguridade das granjas para evitar que a gripe aviária ingresse na avicultura comercial.
“O Serviço Veterinário Oficial, tanto federal quanto estadual, tem planilhas de avaliação de risco, e é por aí que podemos começar a ver quais os graus de risco que temos dentro de uma propriedade. É muito importante realizar a correta identificação dos pontos críticos de cada processo”, disse.
Entre os pontos críticos para a biosseguridade, estão: localização e estrutura da granja; controle de acesso de pássaros e outros animais; fluxo e controle de pessoas; trânsito de veículos; entrada de equipamentos; procedência do material genético; controle de pragas, como roedores e insetos; qualidade da ração oferecida; os produtos biológicos utilizados, como vacinas; a qualidade da água ofertada; os materiais utilizados nas camas e ninhos; e o destino dado às mortalidades e resíduos.
“Muitas das falhas observadas em granjas estão nesses pontos críticos, como controle de acesso inadequado, controle e limpeza de veículos mal feito, equipamentos compartilhados, presença de aves silvestres, telas rasgadas nos aviários, composteiras abertas, silos abertos ou mal vedados e controle insuficiente de roedores”, enumerou.
Para o consultor, é importante pensar no curto e no longo prazo em questões de biosseguridade. “As mudanças podem iniciar pela biosseguridade operacional, que tem menor impacto nos custos, evoluindo num médio e longo prazo para a biosseguridade estrutural, que exige mais investimento”, explicou.
O evento encerrou com uma roda de perguntas do público aos palestrantes, mediada pelo diretor do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA/Seapi), Fernando Groff.
O Fórum teve 212 inscrições para a participação presencial, no Teatro Roberto Atayde Cardona, em Montenegro. Mais de 1.100 pessoas passaram pelo link de transmissão ao vivo, feita pela Seapi, registrando espectadores do Acre, Amazonas, Rondônia, Distrito Federal, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Ceará, Sergipe, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e Paraná.
Para assistir o Fórum na íntegra acesse: https://www.youtube.com/live/litxBHA4C20
Voltar para notícias
(51) 4042-1901












