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Como a IA pode transformar a fiscalização agropecuária

Ferramenta ajuda a otimizar o trabalho e tende a reduzir o tempo gasto com tarefas de repetição, além de ampliar a capacidade analítica dos profissionais

26/06/26

Um seminário técnico deve discutir, nesta quinta-feira (25) o futuro da fiscalização agropecuária com uso de inovação. A programação, organizada pela Associação dos Fiscais Agropecuários do Rio Grande do Sul (Afagro), ocorre das 9h às 12h, no auditório da Emater (rua Botafogo, nº 1051), em Porto Alegre, com a participação de quatro especialistas. O evento serve para marcar o Dia do Fiscal Estadual Agropecuário.

A inteligência artificial é uma ferramenta para otimizar a fiscalização agropecuária, fornecendo apoio às decisões, reduzindo o tempo gasto com tarefas de repetição e ampliando a capacidade analítica dos profissionais. Pedro Bilar Montero explica que, na prática, ela pode facilitar as atividades cotidianas.

“Auxiliar na análise de documentos e processos administrativos, a sugestão de enquadramentos normativos, a busca inteligente em legislações e pareceres anteriores, a detecção de inconsistências nas informações apresentadas em sistemas de informação e a priorização de fiscalizações com base em critérios de risco”, descreve.

No entanto, ele alerta que a tecnologia não substitui o trabalho humano. “Na fiscalização agropecuária a IA atua como uma assistente do fiscal, não como substituta. Ela organiza grandes volumes de dados, como registros de movimentação animal e informações sanitárias, e alerta o profissional sempre que identifica algo atípico, para que ele investigue e decida.”

Mestrando em Ciência da Computação e pesquisador no Laboratório de Computação Ubíqua, Móvel e Aplicada (Lumac) da UFSM, Monteiro participa nesta quinta-feira do painel “O Fiscal Estadual Agropecuário na era da Inteligência Artificial”, que faz parte da programação do seminário técnico.

A adoção da IA na fiscalização agropecuária está em expansão, com trabalhos direcionados à análise de risco de ocorrência de doenças e simulações de disseminação.

“Iniciativas apoiadas pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) empregam análise preditiva, sensores e vigilância em tempo real para fortalecer a biosseguridade animal; e há pesquisas que utilizam imagens de satélite e aprendizado de máquina para prever surtos de doenças aviárias antes mesmo da manifestação clínica. No RS, temos diversas técnicas integradas à PDSA-RS resultantes de pesquisa e que têm sido utilizadas nas atividades do dia-a-dia do serviço veterinário oficial,” explica o pesquisador.

Desenvolvida pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), com o apoio do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do Rio Grande do Sul (Fundesa-RS), Secretaria da Agricultura-RS e Ministério da Agricultura (MAPA), a Plataforma de Defesa Sanitária Animal do Rio Grande do Sul (PDSA-RS) serve como uma plataforma online de apoio aos processos de certificação, inicialmente de granjas avícolas de genética e atualmente também possui módulos para o controle de granjas de suínos.

Efeitos para a população

A utilização de IA, combinada ao trabalho dos fiscais, tem impactos na população. “Na segurança dos alimentos, ao ajudar a detectar riscos mais cedo na cadeia produtiva; na saúde pública, ao antecipar a identificação de doenças animais, inclusive zoonoses; e na economia, ao proteger a sanidade do rebanho, os empregos do setor e a confiança nos produtos brasileiros”, conta Monteiro, que destaca ainda a complexidade desta aplicação. “A defesa sanitária animal é uma área complexa, que depende de tecnologia, pessoas e estruturas bem definidas e funcionais.”

Fonte: Correio do Povo


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