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Caminhos para a exportação de lácteos do RS em debate na Casa do Fundesa
16/05/26
A possibilidade de inserção da produção leiteira brasileira no mercado internacional foi o tema do Seminário de Sanidade em Pecuária Leiteira - Caminhos para a Exportação. O evento, realizado nesta quinta-feira (14/5) na casa do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa), durante a Fenasul Expoleite 2026 foi organizado pelo Conselho Técnico Operacional da Pecuária Leiteira do Fundesa e pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).
O secretário Márcio Madalena participou da abertura do evento e pontuou a necessidade da busca de mercados internacionais para o setor lácteo. “Muito discutimos sobre a salvaguarda ao nosso produtor de leite com relação à importação, mas temos uma nova fronteira, que é a exportação. Uma potência no mercado de carnes, como o Brasil e o Rio Grande do Sul, não pode se conformar a não ser também uma potência na pecuária leiteira”, frisou. Também na abertura do evento, o presidente do Fundesa-RS, Rogério Kerber, pontuou a oportunidade que o estado tem de alcançar mais sustentabilidade na produção leiteira, desde que todos trabalhem na organização e aprimoramento da sanidade do rebanho.
O seminário contou com apresentação do ex-secretário da Agricultura de Santa Catarina, Airton Spies, sobre o plano de incentivos para a exportação de lácteos da Aliança Láctea Sul-Brasileira. “O nosso leite, por uma série de gargalos que a cadeia produtiva ainda enfrenta, é mais caro e não consegue embarcar no navio para enfrentar o mercado pelos preços reais que são pagos pelos lácteos, principalmente o leite em pó, os queijos e também a manteiga, que são as commodities que ditam o mercado internacional.” Segundo Spies, um trabalho realizado pela Aliança Láctea Sul Brasileira identificou os 10 principais gargalos do setor nos três estados do Sul. No evento foi apresentado o Plano de Incentivo à Exportação de Lácteos envolvendo o BRDE, os governos estaduais, o setor público e o setor privado “trabalhando juntos para organizar essa cadeia produtiva e tornar a região exportadora de lácteos, para levantar o teto da produção, além do mercado interno”.
“Atualmente, a região Sul produz 41% de todo o leite industrializado do Brasil, e aqui, nos três estados, nós só temos 14% da população brasileira. Então, agora, nós já estamos sendo exportadores, mas para outros estados brasileiros. Qualquer litro de leite a mais, inclusive aqui, é um litro de leite que alguém está deixando de produzir, porque o Brasil só exportou 0,25% da sua produção no ano passado.” Isso, segundo o especialista, limita o tamanho do agronegócio leite ao poder aquisitivo dos brasileiros, enquanto outras cadeias como frango e carne suína têm milhões de consumidores pelo mundo.
O seminário contou com um painel, mediado pelo assistente técnico estadual da Emater, Jaime Ries, com a visão do produtor e da indústria sobre a sanidade da pecuária leiteira e as exportações. Pelos produtores falaram Marcos Tang, presidente do Conselho Técnico Operacional da Pecuária Leiteira, e Kaliton Prestes, secretário executivo da Fetag-RS. Pela indústria, os representantes foram Guilherme Portella, do Sindilat e Jeferson Farias da Apil.
O auditor fiscal federal agropecuário Rodrigo Pereira, da Superintendência Regional do Ministério da Agricultura, mostrou um panorama da sanidade na produção leiteira no Rio Grande do Sul. Conforme Pereira, o tema das exportações tem que levar em consideração os acordos sanitários já firmados, e a necessidade de protagonismo da indústria de lácteos para o avanço dos testes de brucelose e tuberculose no rebanho leiteiro gaúcho. Entretanto, segundo ele, considerando o modelo de certificados sanitário internacional com a China, por exemplo, das quase 29 mil propriedades leiteiras do Rio Grande do Sul, pouco mais de 200 estariam impedidas.
Os também auditores Bernardo Todeschini e Leonardo Isolan, da Secretaria de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, que atuaram como adidos agrícolas na Europa, abordaram a questão do acesso aos mercados internacionais.
O seminário foi gravado e será disponibilizado no canal da Seapi no Youtube.
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