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Trabalho desenvolvido em convênio com Fundesa é destaque em site da Universidade da Carolina do Norte

17/12/20

O trabalho desenvolvido pelo pesquisador Gustavo Machado, através de convênio entre o Fundesa, a Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural e a Universidade da Carolina do Norte foi notícia do site da universidade norte-americana. A pesquisa consiste na análise do fluxo de animais entre propriedades e a detecção de quais fazendas têm mais contatos e, portanto, merecem mais atenção do Serviço Veterinário Oficial.

Confira o texto traduzido abaixo e o link para o texto original ao final da matéria.

Texto: Greer Arthur/NC State Veterinary Medicine Global Health Tradução: Thais D’Avila

Um projeto de pesquisa conduzido pela Faculdade de Medicina Veterinária da Carolina do Norte (EUA), para deter a propagação de doenças infecciosas entre os rebanhos no Brasil pode ajudar a proteger a indústria suína da Carolina do Norte.

O projeto, liderado pelo professor assistente Gustavo Machado, do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva da Universidade, é uma colaboração entre academia, governo e indústria para construir um sistema sustentável e efetivo de defesa contra doenças como Peste Suína Africana, que podem trazer impactos catastróficos nos rebanhos e nas indústrias de proteína animal ao redor do mundo.

Com o novo financiamento de dois anos, Machado e seu time de pesquisa pretendem automatizar o rastreamento de contatos entre rebanhos para acelerar as respostas e tornar o sistema mais fácil de operar mesmo sem especialistas treinados.

O financiamento da pesquisa é do Fundesa, uma iniciativa entre o setor privado e o governo, que suporta a defesa sanitária animal no Rio Grande do Sul, estado mais ao sul do Brasil.

Para o projeto, agora na terceira fase, Machado e sua equipe estão trabalhando com o Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul, bem como médicos veterinários, produtores de suínos e Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo.

“O trabalho que estamos fazendo no Rio Grande do Sul é diretamente conectado ao nosso trabalho na Carolina do Norte porque os dois estados são grandes produtores de suínos e, portanto, vulneráveis a introdução ou reintrodução de doenças animais exóticas”, diz Machado.

Defesa sanitária é crucial para os países com grande produção e crescimento de agroindústrias. No Brasil e nos Estados Unidos - ambos entre os maiores produtores de suínos do mundo – a criação de gado representa um papel importante no crescimento econômico e na segurança alimentar.

Embora não seja uma ameaça à saúde humana, a Peste Suína Africana pode devastar o rebanho porque não existe vacina comercial ou cura.

“Nossa meta final é ajudar o serviço veterinário oficial a se tornar totalmente independente. Então eles poderão adaptar as mudanças dentro dos seus sistemas agrícolas e construir sua própria proteção contra doenças a longo prazo”, diz Machado.

Desde o tempo em que trabalhou em seu Ph.D na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Machado encontrou maneiras de combinar pesquisa com treinamento em combate a infecção de rebanhos. Ele estabeleceu fortes relações com a agroindústria de proteína animal no Brasil e na Carolina do Norte.

Junto com seu Ph.D e pesquisa de pós-doutorado, no qual explorou de que forma o transporte de animais pode disseminar doenças entre fazendas, Machado capacitou técnicos do Serviço Veterinário Oficial a criar mapas de rotas de transporte e as conexões entre fazendas para poder rastrear os animais.

Em 2019, logo após ingressar no Departamento de Medicina Veterinária Preventiva da Faculdade, o programa de saúde global o ajudou a expandir seu trabalho, apoiando sua pesquisa sobre formas de rastrear o contato entre animais e criando um programa para ensinar médicos veterinários do estado a usar essas técnicas.

Também em 2019, o Fundesa custeou a segunda fase do projeto que permitiu a Machado, sua equipe e colaboradores, a usar seu conhecimento das redes de contatos entre fazendas no Rio Grande do Sul para identificar propriedades com maior risco de surtos. A equipe ensinou os técnicos do Serviço Veterinário Oficial a escolher as propriedades-alvo para a vigilância agropecuária.

"A vigilância em saúde animal é cara e consome tempo. Então se os estados puderem localizar as propriedades de alto risco, poderão priorizar as ações nestes locais, detectando e detendo surtos mais rapidamente”, explica Machado. “Isso é especialmente importante em áreas com recursos limitados”.

Machado e sua equipe vão levar o treinamento ao próximo nível, ensinando a usar ferramentas computacionais complexas para prever futuros surtos. Essas previsões irão ajudá-los a testar diferentes estratégias de defesa, então estarão preparados para responder em caso de ocorrência de surtos.

“Doenças como Peste Suína Africana têm se espalhado pelo mundo, mas não chegaram no Brasil ou Estados Unidos ainda”, diz Machado. “Se estados como o Rio Grande do Sul ou Carolina do Norte podem se preparar para qualquer evento de emergência, eles podem minimizar danos para o rebanho e a indústria e proteger a economia.”

Texto original em: https://cvm.ncsu.edu/grant-supports-nc-state-livestock-infectious-disease-research/


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